Capital Semente
Base tecnológica conquista mercado
08/12/07
O Parque de Desenvolvimento Tecnológico (Padetec) do Ceará se transformou em um dos principais celeiros de formação de empresas de base tecnológica do Nordeste e do País. Nos galpões do Padetec, no Campus do Pici (em Fortaleza), várias micro e pequenas empresas (MPEs) baseadas em idéias inovadoras e em pesquisas científicas conquistaram o mercado e estão contribuindo para o desenvolvimento econômico da Região.
O diretor-presidente do Padetec, Afrânio Craveiro, destaca que mais de 40 empresas já passaram pelo Padetec, sendo que 24 já estão no mercado. "Algumas ainda estão incubadas. Outras foram incorporadas a grandes companhias". Criado em 1990 e inaugurado em 1991, o Padetec hoje conta com uma infra-estrutura de 3,2 mil m² de área coberta, 18 galpões industriais e seis laboratórios de pesquisa e desenvolvimento.
"A taxa de mortalidade entre as empresas que passam pelo Padetec é mínima. As poucas que não deram certo foram em virtude de problemas entre os sócios", explica Craveiro, ao destacar que o Padetec ajuda a empresa a montar o plano de negócios, a registrar marcas e patentes, cede o espaço físico para instalação do empreendimento e disponibiliza os laboratórios para o desenvolvimento dos produtos. "Nos primeiros seis meses, a empresa incubada paga apenas um aluguel simbólico de R$ 84. O valor vai aumentando ao longo do tempo até como forma de estimular o negócio a ingressar no mercado", destaca. O Padetec é uma entidade civil sem fins econômicos que trabalha em parceria com outras instituições e empresas, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Petrobras, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As empresas incubadas são escolhidas por edital ou por meio de apresentação de projetos a serem avaliados por uma equipe de consultores.
De acordo com Afrânio Craveiro, no Padetec foram desenvolvidos vários produtos inovadores nas áreas de eletrônica, alimentos, energia alternativa, computação e produtos naturais. Uma dessas inovações foram os fotossensores, também conhecidos como lombadas eletrônicas, da Fotossensores Tecnologia Eletrônica. "A empresa surgiu em 1994, da união entre a academia e iniciativa privada", conta o empreendedor Francisco Baltazar Neto, sócio-proprietário da Fotossensores.
Segundo Baltazar, os fotossensores, feitos com tecnologia genuinamente cearense e desenvolvida no Padetec, já fiscalizam o trânsito em todas as capitais brasileiras e em rodovias federais e estaduais. Em breve, poderão ingressar no mercado internacional. "Já estivemos na China, Grécia, Estados Unidos e países da América do Sul realizando contatos", destaca Baltazar. Ele lembra que, em 1994, a empresa era apenas uma idéia "com zero de faturamento e nenhum funcionário". Hoje, a Fotossensores, localizada na avenida Rogaciano Leite, em Fortaleza, gera 56 empregos diretos e seu faturamento cresce na faixa de 30% ao ano, devendo chegar a R$ 32 milhões em 2007.
(Oswaldo Scaliotti)
(Jornal O POVO - 08/12/2007)
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