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Companhias novatas terão mais recursos do BNDES

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Valor Econômico 15/07/2013 às 00h00

 

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai lançar neste ano dois novos fundos Criatec, de investimento em capital semente, que têm como alvos empresas emergentes consideradas inovadoras. Com patrimônio total de R$ 340 milhões no mínimo, os novos fundos serão direcionados a companhias novatas de biotecnologia, saúde e agronegócio.

O primeiro fundo Criatec foi criado pelo BNDES em 2007, sendo gerido por um consórcio de prestadores de serviços formado pela Antera Gestão de Recursos e pelo Grupo Instituto Inovação. Pelo fato de as empresas de tecnologia da informação (TI) já receberem atenção dos investidores anjos, que ingressam nas fases iniciais de negócio, e das empresas de capital de risco, os alvos dos novos fundos são empresas dos demais setores da economia, disse ao Valor o gerente da área de capital empreendedor do BNDES, Filipe Borsato.

A previsão é que o Criatec 2, com patrimônio de R$ 170 milhões, comece a investir neste ano. O início dos aportes do Criatec 3, de mesmo patrimônio mínimo, está programado para 2014. Cada fundo investirá em pelo menos 36 empresas, pré-operacionais ou não, com faturamento anual de até R$ 10 milhões. Vinte e cinco por cento dos recursos serão destinados a empresas com faturamento de até R$ 2,5 milhões. O BNDES será o principal cotista dos fundos, que também contarão com recursos de bancos de fomento regionais. O gestor nacional do Criatec 2 será a Ícone Investimentos, responsável por escolher as empresas investidas. A expectativa é que o gestor do Criatec 3 seja selecionado ainda neste ano.

“Verificamos que ainda existe no Brasil demanda reprimida por capital semente”, disse Borsato. “O banco tem hoje um esforço maior em trabalhar a média empresa e a inovação. O Criatec tenta quebrar a barreira existente entre a academia e o mercado”, afirmou o gerente do BNDES. No Brasil, disse ele, apesar do grande número de estudos acadêmicos, há poucas patentes registradas.

O primeiro fundo Criatec, com patrimônio de R$ 100 milhões, está concluindo a fase de investimentos. Com prazo de 10 anos, o fundo investiu em 36 empresas – quatro já saíram do portfólio: três foram vendidas ao controlador, após discordâncias de gerenciamento, e uma foi adquirida por outra companhia. O BNDES não informa o retorno do investimento.

Até o momento, os investimentos do Criatec 1 geraram mais de 20 patentes em biotecnologia, agronegócio, eletrônica e TI. Oitenta por cento desse patrimônio é do BNDES. “A nossa participação é grande porque temos dificuldade em encontrar investidores para nos acompanhar, dados os riscos e as dificuldades de investir em empresas nascentes”, disse Borsato.

No Criatec 1, cada empresa recebeu R$ 1,5 milhão na primeira etapa de investimentos, montante que poderia chegar a R$ 5 milhões nas demais fases. Nos fundos dois e três, a primeira rodada será de R$ 2,5 milhões, podendo chegar a R$ 6 milhões. No primeiro fundo, houve empresas que receberam aportes de outros investidores, como a Geofusion, de sistemas de geolocalização, que recebeu recursos da Intel Capital, braço de investimentos da fabricante de chip Intel.

Uma das empresas que recebeu recursos do Criatec foi a Nanovetores, companhia com sede em Florianópolis (SC) e desenvolvedora de insumos industriais de alta tecnologia para os setores cosmético, alimentício, odontológico e veterinário. Criada em 2008, a empresa recebeu R$ 1,5 milhão do fundo em janeiro de 2012, e usou os recursos nas áreas de produção e distribuição, segundo o presidente da empresa, Ricardo Henrique Ramos.

Após o aporte, a produção passou dos 200 quilos de insumo industrial em 2011 para 1,2 mil quilos no ano passado, com a perspectiva de atingir 17 mil quilos ao fim de 2013. O movimento teve fortes reflexos no faturamento da empresa, que saltou de R$ 100 mil em 2011 para R$ 700 mil no ano seguinte. “Nossa expectativa é atingir R$ 4 milhões em vendas neste ano”, disse Ramos.

Agora, a Nanovetores está em negociação com o Criatec 2 para novo aporte, que pode chegar a R$ 5 milhões. “Os recursos são de suma importância para uma empresa como a nossa, que tem como característica ser de base tecnológica, pequena, conduzida por empreendedores, normalmente com poucos funcionários”, afirmou.

Outra empresa que recebeu recursos do Criatec 1 foi a BUG, de produtos de controle biológico contra pragas agrícolas. Com sede em Piracicaba (SP), a companhia obteve uma receita de R$ 3 milhões em 2012 e espera atingir R$ 4,5 milhões neste ano, disse Francisco Jardim, gestor regional do Criatec em São Paulo. “É um setor relativamente novo [o de controle biológico], e substitui produtos agroquímicos”, afirmou.

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